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História

MAÇONARIA & TEMPLÁRIOS

A Maçonaria nasceu da Ordem dos Templários? Não. E é tudo culpa do Ramsay.
Chevalier da França, Andrew Michael Ramsay era um nobre escocês, exilado na França com os Stuarts. Chegou a ser, por um curto período, tutor do príncipe Charles Edward Stuart. Ramsay havia sido iniciado na Maçonaria em 1730, através da Loja “Horn” de Westminster, na mesma época da introdução do Grau de Mestre Maçom. Já por volta de 1737 na França, colaborando com o desenvolvimento da Maçonaria, Ramsay foi convidado a proferir um discurso a um grupo de iniciados quando de uma grande iniciação.
Esse discurso, mais conhecido como “Oração de Ramsay”, parece ter sido editado por Ramsay e distribuído aos presentes quando de tal iniciação. Provavelmente, já havia a intenção de divulgá-lo, o que pode ter motivado a publicação, em 1741.
Segue alguns trechos interessantes do discurso:
“Nossos ancestrais, os cruzados, reunidos de todas as partes da cristandade na Terra Santa, desejavam reunir em uma única Fraternidade os indivíduos de todas as nações…
Nossos fundadores não eram simples trabalhadores em pedra, nem curiosos gênios. Eles não eram apenas arquitetos qualificados, empenhados na construção de templos materiais, mas também religiosos e príncipes guerreiros que planejaram, edificaram e protegeram os Templos do Altíssimo.
Rei Salomão escreveu em caracteres hieroglíficos nossos estatutos, nossas máximas e os nossos mistérios, e este livro antigo é o Código original da nossa Ordem. … Após a destruição do primeiro Templo… Zorobabel foi nomeado como Grão-Mestre da Loja de Jerusalém e instruiu o lançamento das bases do Segundo Templo, onde o misterioso livro de Salomão foi depositado. … Este livro foi perdido… …até o tempo das Cruzadas, quando uma parte dele foi redescoberto depois da rendição de Jerusalém.
Reis, príncipes e senhores retornaram da Palestina para suas próprias terras e ali estabeleceram diversas Lojas… Nossos graus, nossas Lojas e nossos ritos foram negligenciados na maioria dos lugares. … No entanto, foi preservado o seu esplendor entre os escoceses, a quem os reis da França confidenciaram durante muitos séculos a salvaguarda da sua família real.”

Em nenhum momento Ramsay menciona a Ordem do Templo, mas seu discurso foi a chama inicial da ideia de que a Maçonaria era a sucessora direta dos Templários.

Maçonaria Operativa e Ordem do Templo realmente coexistiram e se relacionaram. Afinal de contas, a Ordem do Templo necessitou de maçons operativos para construir castelos, fortes, capelas, assim como também a Igreja Católica, a nobreza, a burguesia e qualquer instituição ou pessoa que precisava de que algo fosse edificado. Mas qualquer relação além dessa é lenda, sem nem sombra de vestígios.
A teoria de que Ramsay foi o criador do Rito de Perfeição (ou Heredom), o qual serviu de embrião para o Rito Escocês, apesar de defendida por tantos autores, não possui indícios razoáveis. Inspiração é diferente de criação. Ligam o fato de Ramsay ter escrito três diferentes graus com o surgimento dos primeiros “Altos Graus” da França. Porém, ao que tudo indica, os três graus escritos por Ramsay eram uma proposta de Graus Simbólicos inspirados na Cavalaria Medieval para substituição dos graus então praticados, como forma de “reforçar” a teoria de “origem templária”. Há indícios de que é sua a autoria dos graus implementados por Karl Gathen na Alemanha, onde ficaram conhecidos como Rito da Estrita Observância. E foi exatamente o fato desse Rito não possuir uma autoridade declarada, e de ter um forte teor templário, que o sepultou.
Para uma coisa a “Oração de Ramsay” serviu: hoje há graus de cunho templário em praticamente todos os ritos maçônicos praticados.

Discussão

6 Respostas para “MAÇONARIA & TEMPLÁRIOS”

  1. Cabe aqui dois comentários

    1 ''…Ramsay havia sido iniciado na Maçonaria em 1730, através da Loja “Horn” de Westminster, na mesma época da introdução do Grau de Mestre Maçom…''

    Grau de Mestre Maçom não foi criado antes de 1717, salvo engano por um RosaCruz, Elias Ashmole, ????

    2 Conheço duas teorias: Uma diz que os Maçons (na ocasião com outro nome) foi uma ordem paralela aos Templários, como no texto acima dito, e com o fim da última em 1314, esta veio a se juntar aos Maçons… A outra teoria, afirma que os Templários após 1314 viram nos pedreiros a forma perfeita de se esconder.

    Interessante post

    T F A

    Enviado por Rafhael Guimarães | 4 de julho de 2011, 2:05
  2. Meu Irmão Rafhael,
    A primeira aparição do Grau de Mestre foi em 1725, na Inglaterra. O responsável pela implementação foi Desaguliers. Na própria 1a. Constituição de Anderson, de 1723, não havia nem sinal do Grau de Mestre, surgindo apenas na "2a. versão". A autoria e data do Ritual é incerta, por isso que sempre uso o termo
    "implementação".
    No caso da autoria de Elias Ashmole, é algo muito improvável. Seu diário não coaduna com tal informação, e o fato dele ser visto como autor dos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre do que se tornaria o Rito Escocês, 80 anos antes do Grau de Mestre ser mencionado pela primeira vez na Inglaterra num sistema totalmente diferente do que se credita ao Ashmole, torna esse teoria muito furada.
    A autoria de Ashmole é exatamente como essas "teorias" da relação da Maçonaria com os Templários: mitos sem nenhum indício favorável, improváveis, mas repetidos tantas vezes e por tanto tempo que se tornaram verdades.
    TFA,
    Kennyo Ismail

    Enviado por Kennyo Ismail | 4 de julho de 2011, 13:30
  3. Ir Kennyo,

    Então os graus com referências aos templários (como os "graus superiores" do rito de york) são homenagens, por assim dizer, e não um indicativo dessa ascendência Templária?

    Enviado por Aurilio Santos .´. | 6 de agosto de 2011, 15:44
  4. Meu Irmão Aurilio,
    Sim. Eu diria que são graus "inspirados" na história e ensinamentos templários. Mas definitivamente não são indícios de que seríamos sucessores da Ordem do Templo.

    Enviado por Kennyo Ismail | 8 de agosto de 2011, 12:55
  5. Ir. Kennyo,
    essa semana vi um documentário, provavelmente do National Geographic, que demonstrou uma relação um tanto curiosa, mas não sei se fundamentada. Segundo eles, a capela Rosslyn, contém símbolos templários, mas também símbolos maçonicos, e foi construida alguns séculos após o desaparecimento dos templários. Outro dado interessante foi que o Conde fundador dessa capela, Sinclair, que era parente (com bastante séculos de distancia) por casamento, do fundador da Ordem dos Cavaleiros Templários, Hugo de Payens. Essas informações procedem? Se sim, o que elas significam?? Desde já agradeço,
    T.F.A.

    Kennyo Ismail – Irmão Giovani, existem muitos livros que tratam sobre isso, sendo um dos mais famosos entre os maçons o livro “A Chave de Hiram”. Creio que tudo é uma questão de interpretação e seus critérios. Um exemplo é uma imagem esculpida em um muro… tem gente que consegue enxergar um templário iniciando um maçom. Eu não consigo ver nada disso, pois está muito gasto e quebrado. Mas alguns conseguem! Talvez eles queiram ver mais do que eu queira. Rosslyn é algo muito interessante, mas espero que surjam estudos sérios de historiadores profissionais não ligados à Maçonaria para que possamos chegar a alguma conclusão mais concreta.

    Enviado por Giovani | 2 de junho de 2012, 21:39
  6. Q.’. Ir.’. Kennyo. Sou admirador de teu trabalho e de teu intelecto, entretanto um livro deixou-me bastante inquieto e gostaria de saber se tu tens alguma opinião sobre ele pois o mesmo atribui a origem da Sublime Ordem exclusivamente aos Templários. O livro é “Nascidos do Sangue-os segredos perdidos da Maçonaria” de John J. Robinson. TFA

    Kennyo Ismail – Meu Ir.´. Giniomar, a obra de Robinson é muito boa. Defende uma teoria interessante, convincente, mas improvável. Ao meu ver, são como livros com teorias alternativas sobre o assassinato de J.F. Kennedy ou que eram deuses os astronautas: apresentam indícios e registros que permitem tais suposições, mas nada além disso. Recomendo a leitura de duas críticas sobre o livro:
    McLEOD, Wallace. The Royal Arch Mason Magazine, vol. 16, n ° 10, 1990, p.303-304.
    Hamill, John M. Ars Quatuor Coronatorum , vol 104, 1991, p.239-240.

    Enviado por Giniomar | 18 de julho de 2014, 10:07

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