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ARTE REAL: MEMORIZAÇÃO E RETÓRICA

Imagine um mundo em que as artes cênicas fossem diferentes, ou melhor, não fossem arte. Um mundo em que você liga a sua TV à noite e os atores da novela estão com seus scripts, lendo suas falas. Aquela sensação fictícia de estar assistindo a vida real, que tanto prende famílias no sofá ao final dos dias, vai se distanciando a cada olhar da atriz ao papel à sua frente.

Então você vai ao cinema assistir ao novo filme do 007, mas desta vez James Bond tem um roteiro na mão ao invés de uma pistola. Aqueles papéis o seguem mais do que qualquer vilão, e a postura e elegância que o definiam se perdem por trás do roteiro impresso ao alcance de suas vistas. Nenhum suspense ou mesmo a melhor cena de ação do filme consegue sobreviver a tal artificialidade. A tão famosa “permissão para matar” parece ter sido usada desta vez contra a qualidade.
Fugindo do cinema, e agora na busca desesperada por uma arte verdadeira, você entra na fila do teatro, certo de que ali conseguirá alimentar sua mente, coração e espírito com um mínimo de decência. Para sua surpresa, o cenário está praticamente branco, de tantos cartazes colados no chão, nos móveis e dependurados no teto, a poucos centímetros acima dos atores, com as falas da peça.
E aí, conseguiu imaginar um mundo assim? Seria bizarro, um grande absurdo, algo realmente inaceitável, não é mesmo? Então por que você acha que pode fazer isso na Maçonaria, ou mesmo concordar que outros assim o façam?
A Maçonaria é comumente chamada de “Arte Real”, e não é à toa. O Mestre Maçom, sendo um artista da Arte Real, deve trabalhar como tal. Deve conhecer as Sete Artes Liberais, dentre as quais está a Retórica. E sendo a Maçonaria uma instituição que ensina por meio de símbolos e alegorias contidas em histórias e diálogos encenados, cada Oficial é um ator, que deve ter como objetivo primário transmitir a mensagem da melhor forma possível.
Um protagonista de novela ou seriado tem que memorizar páginas e mais páginas diferentes a cada dia para interpretar as falas de um episódio muitas vezes transmitido uma única vez, e cujo objetivo do programa é apenas o entretenimento. Então porque um Oficial de uma Loja Maçônica não pode memorizar três ou quatro pequenas frases de seu cargo, as quais ele sabe que repetirá dezenas e dezenas de vezes durante, pelo menos, um ano inteiro, sabendo ele ainda que o objetivo do ritual é instruir?


O exemplo inicialmente dado demonstra claramente que uma mensagem lida não alcança o espectador ou participante com a mesma proporção e intensidade que uma mensagem declamada. A Maçonaria possui muitas belas e importantes mensagens, as quais merecem ser transmitidas na devida forma.

Um comentário sobre “ARTE REAL: MEMORIZAÇÃO E RETÓRICA

  1. Prezado Ir. Kennyo,

    Saudações fraternais.

    Realmente, esse tema é dos mais importantes. Entretanto, lamentavelmente, tem sido quase sempre relevado pelas Lojas e pelos Irmãos em geral..

    Com a sua anuência, compartilho com você e os irmãos que são fãs do seu BLOG, uma postagem que está apresentada no BLOG do SALMO133, no qual abordo o tema e pondero sobre a importância da memorização dos rituais.

    Para visualizar a referida página, por favor, clique no link a seguir:

    http://freemasonry-salmo133.blogspot.com/2011/12/debate-memorizacao-dos-rituais.html

    Ficarei grato com os seus comentários e sugestões. Igualmente, o mesmo vale para todos os leitores do “No Esquadro”

    Cordial T.F.A.

    Kleber

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