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O QUE É CABALA E QUAL SUA VERDADEIRA RELAÇÃO COM A MAÇONARIA?

O que é Cabala?
Cabala é o esoterismo judaico. Existe o esotérico e o exotérico. O exotérico é o conhecimento ensinado ao povo, enquanto o esotérico é o conhecimento oculto no exotérico, restrito aos escolhidos, aos iniciados.
Trata-se de um sistema de simbologia e numerologia de origem judaica que teoricamente serve para desvendar os segredos ocultos na Torá.
Apesar dos cabalistas acreditarem que a Cabala foi transmitida pelo próprio Deus a Moisés, vários historiadores concordam que sua origem é nórdica, baseada na lenda de Odin. Por coincidência, a Capela de Roslin, considerada por muitos como um verdadeiro Templo Maçônico do século XV, possui a lenda de Odin com sua árvore sagrada ilustrada na chamada “Coluna do Aprendiz”.
O alfabeto hebraico possui 22 letras, enquanto a Cabala possui 22 caminhos que ligam às 10 esferas (sefirás) que formam sua estrutura, comumente chamada de “árvore da vida”. A árvore da vida é de uma certa maneira formada por triângulos, quadrados e círculos, três formas geométricas muito comuns na Maçonaria.
Qual sua relação com a Maçonaria?
Muitos são os trabalhos, estudos e livros relacionando a Cabala com a Maçonaria, alguns chegam a inventar que existe a Cabala Operativa e a Cabala Especulativa, para aproximá-la ainda mais das raízes da Maçonaria. Porém, nenhum autor faz o favor de citar um fato ou documento histórico que liga a Cabala à Maçonaria ou mostrar onde há Cabala na Maçonaria. Tudo é muito vago ou, como alguns preferem, está tudo “oculto”, “entre linhas”.
A verdade é que a Cabala se popularizou entre os intelectuais do século XVIII e XIX. E se poderiam haver ensinamentos ocultos na Torah, muitos acreditavam que também poderia haver na Bíblia, nos rituais antigos, etc. A busca pelo oculto se tornou obsessão para a classe intelectual dessa época, aproveitando a onda de decadência da Igreja e das Monarquias e o fortalecimento da massa crítica da sociedade. Nessa época, Maçonaria era moda na Europa e várias outras sociedades secretas brotavam nas cidades, prometendo conhecimento oculto. Somente na Maçonaria Francesa, mais de 1.000 graus maçônicos surgiram dentro de dezenas de Ritos, todos com supostas origens honrosas como Egito Antigo, Palestina, Templários, celtas, Antiga Grécia e outras. O conteúdo e costumes nascidos da Maçonaria Operativa tentavam sobreviver em meio a essa avalanche de novas histórias, crenças, símbolos e práticas, todas novas, mas se auto-intitulando como “antigas”.
Os “criadores” dos Ritos e rituais chamados “Superiores” necessitavam de conteúdo para criar tantos graus. Ora, a Maçonaria sempre teve uma relação com o Templo de Salomão, com uma Palavra Perdida. Não há misticismo mais próximo disso do que a Cabala, a moda do momento! A origem judaica e a busca por um conhecimento que se perdeu nas brumas do tempo e pode estar oculto é um prato cheio para aqueles sedentos por conteúdo para enxertar na criação de dezenas de novos graus de um sistema.
Dessa forma, a Cabala foi introduzida na Maçonaria quando da criação dos Ritos Maçônicos, entre eles, o Rito de Heredom, sistema de 25 graus, que deu origem ao Rito Escocês.
Onde pode ser visto a Cabala no REAA?
Sua presença mais evidente está no Templo do Rito Escocês: o Templo e suas mesas e altar seguem a famosa Árvore da Vida.
Nos templos originais do REAA, o trono do 2º Vigilante fica no lado ocidental da Coluna do Sul, paralelo ao trono do 1º Vigilante, assim como ainda é mantido nos Graus Superiores do REAA. A mudança do 2º Vigilante para o centro da Coluna do Sul, como podemos observar nas Lojas Simbólicas atuais, somente ocorreu pela influência dos templos ingleses e do Rito de York.
Observando o formato original do Templo do REAA, o mesmo formato em que a Loja de Perfeição é organizada, vê-se claramente a formação da Árvore da Vida:
O Átrio, onde os candidatos aguardam para serem iniciados, é onde se inicia a senda maçônica. É o ponto intermediário, que separa o profano do sagrado. Em seguida há a Porta do Templo, no Ocidente, que dá acesso á Luz, a partir de onde se inicia o trabalho. Os tronos dos dois Vigilantes seguem paralelos, em suas extremidades, representando o VM no governo de suas Colunas. Tem-se o Altar dos Juramentos no Centro. Observe que o Altar é o único ponto da Árvore em que todos os outros pontos têm caminho direto, menos o Átrio de onde só há acesso ao Altar após atravessar a Porta. Isso mostra que todos estão ligados por meio do GADU, representado pelo Livro da Lei no Altar. Seguindo, vê-se as mesas do Chanceler e o Tesoureiro, paralelas. A partir daí, inicia-se o Oriente, onde se vê as mesas do Secretário e do Orador nas laterais e, por fim, a cabeça da Árvore da Vida, ponto mais alto da Sabedoria da Cabala, o trono do Venerável Mestre.
Essa herança da Cabala se faz presente nos Templos do Rito Escocês e demais Ritos de origem francesa. Já nos templos ingleses (Rituais ingleses modernos, pós 1813) e nos templos americanos (Rito de York, a partir de 1797), não se vê tal característica, visto os templos serem mais próximos do chamado “Antigo Ofício”, ou seja, dos costumes da Maçonaria Operativa, exatamente por não terem sofrido essa influência “ocultista” ou “esotérica” que a maçonaria da Europa Latina (França, Portugal, Espanha e Itália) sofreu.

A Maçonaria Simbólica brasileira, por desconhecimento, promoveu com o passar dos tempos diversas adaptações em seus templos do REAA, desfigurando a Árvore da Vida pela influência de outros Ritos e Rituais. Porém, a mesma encontra-se preservada através dos Graus Superiores, ainda inviolados.

Por que não há registros explícitos disso?

Porque os criadores e líderes dos Ritos na época buscavam a atração e aceitação de seus adeptos através de afirmações de que o Rito surgiu de uma expedição de Napoleão ao Egito, ou dos escritos de um antigo Imperador, ou de um pergaminho protegido por um cavaleiro templário que sobreviveu à Inquisição. Era mais interessante do que confessar que se tratava de um trabalho um pouco mais recente, fruto de uma miscelânea de história, parábola, símbolos, com uma pitada de Cabala e outros misticismos.

30 comentários sobre “O QUE É CABALA E QUAL SUA VERDADEIRA RELAÇÃO COM A MAÇONARIA?

  1. Seguindo as características das sephirots, seria mais ideal o hospitaleiro no lugar do chancelar (é mais indicado este oficial na mão Direita da Cabala do que o Chanceler), isto posto, posso concluir que o Chancelar é cargo moderno e adicionado no Ritual ou o hospitaleiro?(me parece, conforme acima que houve essa modificação)

    {Eu tento sempre entender os cargos de acordo com a Arvore da Vida}

  2. Rafhael,
    Existe uma discussão sobre a correta posição do Mestre de Cerimönias e do Hospitaleiro, visto que é invertida conforme a Obediëncia. Conforme o REAA praticado nas GLs, o Hospitaleiro fica do lado direito (Sul), próximo ao Chanceler, enquanto que o Mestre de Cerimônias fica do lado esquerdo (Norte), próximo ao Tesoureiro. Mas veja que, conforme a natureza da atividade, o Hospitaleiro tem mais proximidade com o Tesoureiro e o Mestre de Cerimônias com o Chanceler. Por isso há a variação na interpretação.
    Não podemos dizer que um está certo e o outro errado. Apenas um segue o esotérico enquanto que o outro segue o racional.

    TFA,
    Kennyo Ismail

  3. Seria bacana, se vc julgar conveniente, fazer algum dia post subindo a árvore da Vida e falar da relação de cada sephirot com o Oficial correlacionado.
    A perguntas tbm são feitas pq as vezes quero também ver os oficias demolays sob a ótica cabalista.

    Obrigado pelas respostas.

    TFA

  4. Meu Irmão Rafhael, obrigado pela sugestão. Sobre a Ordem DeMolay, o ritual DeMolay foi feito sobre as bases do Monitor de Webb, levando em consideração a estrutura física das Blue Lodges Americanas. Se a influência da Cabala é menor nos ritos de origem anglo-saxã, na Ordem DeMolay é ainda menor. Não creio que Frank Marshall teve essa preocupação de considerar as sephirots quando da determinação dos Oficiais, apenas replicando o que já havia em Loja e criando os 07 Preceptores em sentido horário (influência do REAA). Sobre Ordem DeMolay, convido-o a visitar o blog http://www.virtudecardeal.blogspot.com , voltado aos nossos Sobrinhos.

    TFA,
    Kennyo Ismail

  5. Meu amado Irmão.

    Só tenho a agradecer e lhe parabenizar pelas mais belas lições que tem nos dado sobre a verdadeira maçonaria especulativa. Sou seguidor desta mesma linha de raciocínio que você apresenta em seu blog. tenho indicado suas aulas a varios outros Irmão de minha Loja.

    Um TFA.

  6. Meu Ir.:, muito bom seu trabalho, sou grande estudioso do REAA, mesmo lendo tudo que encontro a respeito da Arte Real, compreendi que maçonaria é um aprendizado infinito. A chano de Fuculdade moral, cultural e espiritual.Fui iniciado em 09/09/1975 e me consiredo ainda um aprendiz na ânsia de conhecer e saber. Um T.;F.:A.:

  7. muito esclarecedor esse conhecimento

  8. Me esclareceu bastante, parabéns!

  9. Fiquei por demais interessado no assunto acabala e parabenizo pela clareza nas explanações.

    1. meu Gente. . .
      eu ja li sobre a origem da Cabala ela foi escrita quando a Bíblia ja estava concluída nós é dito aqui q o conteúdo é esotérico que contem misticismo supersticionista. . .
      que a Maçonaria ama esse
      livro. . .
      é herege pessoal. . .

  10. Fiquei por demais interessado no assunto a cabala, parabenizo pela clareza nas explanações.

  11. Como aprendiz, achei de muito valor essa aula. Muito Obrigado!

  12. Parei de ler o artigo quando li
    “Porém, nenhum autor faz o favor de citar um fato ou documento histórico que liga a Cabala à Maçonaria ou mostrar onde há Cabala na Maçonaria.”
    obviamente quem escreveu o artigo não sabe nada de cabala e nem de maçonaria.
    recomendo que leia o Livro MORAL E DOGMAS do mestre de 33 grau Albert Pike ..nele Pike chega a afirmar que toda a base dos conhecimentos maçonicos são baseados na Cabala ….

    Kennyo Ismail – Ivã, creio que então não deveria comentar um artigo que não terminou de ler. De qualquer forma, tenho um exemplar de Moral e Dogma de mais de 100 anos. Tenho aqui mesmo no blog trabalhos que se referem ao Moral e Dogma, incluindo uma leitura crítica sobre as menções ao diabo na obra. E reafirmo que não há FATO ou DOCUMENTO histórico conhecido que liga a Cabala à origem da Maçonaria. Pergunte-se como maçons operativos ingleses e escoceses, todos cristãos e relativamente analfabetos, precursores da Maçonaria como conhecemos, que “aceitaram” alguns poucos intelectuais durante o século XVII e início do século XVIII, poderiam ter qualquer conhecimento de Cabala, ainda serem “mestres” da mesma. E desafio a encontrar a Cabala em qualquer ritual maçônico anglosaxônico. Tenho plena convicção do enxerto da cabala já na Maçonaria Francesa. Repito: enxerto. Assim como da astrologia, numerologia, etc. Tudo não-maçônico e enxertado pelos franceses no decorrer do século XVIII.

    1. Meu Ir.’. muito bom, eu não vejo Pike como exemplo a ser dado ou seguido na maçonaria, ainda mais pq ele “demonizou” a maçonaria, segundo meu SGM ela teria nascido na Alemanha, mas isso pouco importa, o real mesmo é que pouco se têm dos nossos ancestrais, muita coisa foi mudada, algumas por motivos de invasão de curiosos e por ter vazado informações, como a troca das CCol.’. eu só acho muita coincidência o conteúdo de algumas IInst.’. recebidas com termos usados na cabala, acho que cruzam muito desde o início dos GGr.’. SSimb.’. até o fim, sou Mest.’. Maç.’. e agora estou estudando firme a cabala, mas isso não pq a maçonaria me obrigou ou me mandou estudar, foi um entendimento meu mesmo, por isso estou estudando a cabala, agora como o Ir.’. disse e não posso deixar de concordar, maçonaria é o que se apresenta nas IInst.’. e em Loj.’. e pronto, não adianta ficar procurando ou inventando nada, ela é o que é e pronto, muito bom sua peça mano, TFA.’.

      Kennyo Ismail – Pike nasceu em Massachusetts. Quando ele nasceu, havia mais de 150 anos que sua família residia em Massachusetts. Sua descendência era inglesa. Alguém deve ter se confundido por aí. TFA.

  13. Grato por tudo abraços

  14. Que bela prancha!!!

  15. Adorei as peças de arquitetura, queria, recebê-las regularmente. TFA

  16. Muito bom o seu trabalho.

    Gostaria de manter contatos para receber outros trabalhos.

  17. ***

  18. Penso dá mesma forma

  19. Parabéns pelo artigo meu irmão.
    Aproveitando o gancho de de sua citação: “Por coincidência, a Capela de Roslin, considerada por muitos como um verdadeiro Templo Maçônico do século XV, possui a lenda de Odin com sua árvore sagrada ilustrada na chamada “Coluna do Aprendiz”.”

    O irmão poderia apresentar um artigo sobre a Capela de Roslin, e sua verdadeira historia. Já li bastante sobre ela, mas como o irmão mesmo cita, foram livros sem Bibliografia nenhuma ou pelo menos sem bibliografia confiável.

  20. Post bem interessante Ir.: Kennyo.
    TFA

  21. Amados, Pike jamais “demonizou” a maçonaria. A obra Morals and Dogma tinha como um dos objetivos evitar que a maçonaria viesse a ser controlada pela igreja católica. Essa conjuntura estava latente no movimento dos cléricos da igreja em dominar a maçonaria nos Estados Unidos.
    Quanto a cabala ser um “enxerto” só o fato de não estar implícita nas lojas inglesas não é prova de que foi enxertada por franceses. Tão pouco a concepção dos ritos buscou elementos somente para satisfazer cargos. De fato não vais encontrar documento histórico que comprove a ligação da maçonaria com cabala exceto a obra de Pike e tão pouco documento histórico que comprove ligação com templários. Também não há provas de que cabala judaica era popular entre intelectuais na frança. Não há prova de que tal enxerto visava somente suprir cargos ou degraus. É necessário justificar melhor que tal conhecimento se trata de um “enxerto” ou se necessitava incorporar tal conhecimento afim de enriquecer a formação do maçom. Muito boa a Peça, Parabéns.

    Kennyo Ismail – Edson, Morals and Dogma não tinha como um dos objetivos evitar que a maçonaria viesse a ser controlada pela igreja católica e não houve movimento dos clérigos da igreja católica para dominar a maçonaria nos Estados Unidos. Sobre isso, sugiro a leitura da vasta produção do pesquisador e amigo Jose Antonio Ferrer Benimeli a respeito. Por que Morals and Dogma foi escrito? Simplesmente não havia ainda literatura recomendada sobre o REAA à época e Pike se dedicou a atender essa demanda de forma plena. Percebo que você se incomodou com o termo “enxerto”, levando-o para o lado negativo. Enxerto, no sentido que foi utilizado, é quando você pega um fragmento de A e insere em B. Assim, Cabala é um enxerto porque não é originária da Maçonaria, tendo sindo enxertada na mesma. Não fora enxertada nos antigos rituais simbólicos ingleses, escoceses ou irlandeses, mas em rituais franceses. Outra questão é que há sim provas de que, não apenas a cabala, mas diversas artes e doutrinas ocultistas, eram populares entre os intelectuais na França naquele período. Há dezenas de pesquisas e estudos históricos sobre o assunto. Como exemplo, tem-se os trabalhos de René Le Forestier, Antoine Faivre, etc. E sobre o enxerto com fins de incorporar tal conhecimento e enriquecer a formação do maçom, se você estudou ou estuda Cabala, sabe bem que na Maçonaria não se realiza uma educação cabalística de fato, assim como não há formação real em Alquimia, em Astrologia, em Numerologia, que também foram enxertos franceses na Maçonaria. São “enxertos de pele”, aparentes e, ao mesmo tempo, superficiais. O resultado disso é que, enquanto a maçonaria anglo-saxônica mantém seu foco original de escola da ciência maçônica (moral), a maçonaria francesa desenhou um caminho de escola de pseudo-magia, com autores se apresentando como magos, distanciando-se dos ensinamentos operativos e aproximando-se dos ensinamentos rosacrucianos, martinistas, etc.

  22. Contudo as provas históricas de que os MM operativos possuiam conhecimentos da cabala pitagórica e inclusive de astrologia estão gravadas nos diversos templos construídos pelos próprios Mestres Operativos que obrigatoriamente sabiam ler sim. Antes de 1700 dC a astronomia era ligada com astrologia e constituia a base dos conhecimentos matemáticos mínimos para que um Mestre Operativo pudesse projetar um templo. Um exemplo claro é a Catedral de Amiens iniciada pelos M operativos em 1200 dC e outro exemplo é a Catedral de Chartres 1145 dC. Outro exemplo é o da catedral de Exeter de 1400 dC contruida pelos operativos na Inglaterra. Todas possuem em seus vitrais simbolos cabalísticos elaborados pelos próprios maçons operativos. Portanto, apesar de não haver um documento histórico formal e escrito atestando a vinculação da cabala com a maçonaria resta comprovado que os mestres detinham sim conhecimentos da cabala, astrologia e astronomia já em sua fase operativa. Muito antes de surgir a especulativa e do tal dito “enxerto”. Vais notar inclusive que nestes três templos o projeto estrutural dos vitrais fora planejado com base na geometria da proporção áurica da geometria “sagrada” buscada na gravação chamada de “flor da vida” do templo de osirion no Egito. Se pesquisares “Templo de osirion gravação” verás a similar geometria da estrutura dos vitrais da catedral de Chartres construída pelos operativos. No interior da catedral de Amiens e também no interior da catedral de Chartres verás um labirinto que foi desenhado pelos maçons operativos com base no Diagrama Egípcio do Labirinto cujo significado é puramente esotérico. Portanto fica fragilizada a hipótese de mero “enxerto” para justificar agradar intelectuais ou somente criar graus. Valeu mano. Espero ter dado uma ajuda. Mais uma vez parabenizo pela peça e pelo tema.

    Kennyo Ismail – Edson, o que você considerou como “provas históricas de que os MM operativos possuíam conhecimentos da cabala pitagórica e inclusive de astrologia” esbarram no simples fato de que essas catedrais, incluindo labirintos, etc., não foram projetadas por maçons operativos, mas pelos seus respectivos arquitetos (esses sim, letrados) e ratificadas pelos seus respectivos bispos. Além disso, tomo seu próprio exemplo para demonstrar que os “conhecimentos matemáticos” não eram tão avançados assim: a Catedral de Amiens teve falhas estruturais desastrosas, que demandaram muitas modificações e reparos para garantir que não desmoronasse. Sobre a geometria envolvida, trata-se de proporção “áurea” (não áurica), que não é de origem exclusiva egípcia, como afirmou, pois fora observada em outras civilizações antigas. Ainda, a proporção áurea nada tem com a Cabala, em nada contribuindo com a questão da Cabala na Maçonaria, quanto mais fragilizando qualquer proposição.

  23. Prezado, com todo o respeito e carinho. Deixe-me ver se entendi, então os construtores não sabiam ler, não faziam o projeto das próprias catedrais que construíam, não sabiam nada de matemática, não sabiam nem ler o projeto. Não sabiam nada de Astronomia nem Astrologia e contruíram dezenas ou talvez centenas de templos orientados astronomicamente e carregados de simbologia cabalista sem mesmo saber o significado do que estavam fazendo? Há provas disso? Há provas de que a igreja possuia uma ordem de arquitetos separados? Então creio que estes arquitetos conheciam simbolos da Cabala. Há provas de que arquitetos não faziam parte das guildas ou corporações de ofício de pedreiros? E se eles tiveram contato com a Cabala no decorrer destas centenas de anos de operação? Seria impossível que isso ocorresse? Respeito sua posição de que a cabala e astronomia/astrologia possam ter sido meros “enxertos” para agradar intelectuais contudo diante do produto das obras dos operativos fica difícil perceber que eles sequer sabiam o que estavam construindo. Agradeço a atenção do mano em responder. Este tema é complexo. Grande Abraço!!!

    Kennyo Ismail – Não apenas os pedreiros eram analfabetos, mas a maioria da população. Isso até, pelo menos, o século XIX. Pedreiros não projetavam as catedrais, e por sinal ainda não as projetam. Isso ainda é papel dos arquitetos, como na época. O Mestre de Obras sabia o básico de geometria e matemática. Não sabiam Astrologia, muito menos Astronomia. E sim, construíram templos “orientados astronomicamente” sem saber o significado. Hoje mesmo, em pleno século XXI, ainda é assim. Os pedreiros que construíram nossas lojas maçônicas, “orientadas astronomicamente” e “carregadas de simbologia”, fizeram também “sem saber o significado do que estavam fazendo”. Então, qual a dificuldade em aceitar esse fato histórico, de um período muito mais educacionalmente precário do que o atual? Em tempo, não foram todas as guidas de pedreiros que têm ligação histórica com nossa Maçonaria Especulativa, mas apenas as britânicas (Inglaterra, Escócia e Irlanda), a partir de onde surge toda a Maçonaria Especulativa que conhecemos. E nos inúmeros manuscritos maçônicos conhecidos, não há qualquer sinal de Cabala. Da Inglaterra, a Maçonaria Especulativa vai para a França, que também recebe posteriormente influência escocesa. E na França então, e somente então, começam os primeiros enxertos de alquimia, astrologia, numerologia, cabala, etc. Não há complexidade nisso. Na verdade, é bem simples. Mas os franceses, em especial os mercadores de graus da segunda metade do século XVIII, quiseram complicar e dar a esses enxertos um ar de legitimidade que muito brasileiro ainda compra.

    1. Agradeço os esclarecimentos e mais uma vez parabenizo pela peça. Um TFA

  24. Bela Peça de Arquitetura e proveitosos e maravilhosos comentários. Isso nos faz estudar cada vez mais os mistérios da Arte Real. Parabéns a todos os Irmãos que participaram das discussões. Elas acrescentaram e valorizaram o Trabalho apresentado.

  25. O irmão deveria ler a Constituição de Anderson. Nela verás grande influência da base do catolicismo que trazia no seu arcabouço a própria Kabalah judaica. Na constituição de Anderson são citados São João Batista e São João Evangelista como referências para as datas das reuniões. O próprio termo “Venerável”, “Templo” e “Salomão” já eram utilizados desde Londres e são originais do catolicismo e provenientes da kabalah judaica. Cita também a “Arte Real”, os “mistérios”, “rituais” e a “nobre ciência”. Cita os costumes antigos e o livro de loja. O próprio nome da Loja que James Anderson frequentava se chamava  “Lodge of Salomon’s Temple” (Loja do Templo de Salomão).
    Por ser um clérigo James Anderson inseria elementos e a linguagem do catolicismo e simbologia da antiga Kabalah judaica desde a raiz da maçonaria assim como se faziam nas construções das catedrais góticas escocesas.
    A maçonaria especulativa já nasceu num ambiente predominantemente católico que carregava em si elementos da antiga Kabalah judaica.
    Um dos fortes indícios de que o pensamento derivado da kabalah está presente na raiz da maçonaria é o nome da Loja que James Anderson frequentava que fazia referência direta ao templo de Salomão. Não há como desvincular o Templo de Salomão da Kabalah judaica. Seria preciso reduzir muito o entendimento da Kabalah para isolar a sua influência direta na raiz da maçonaria.
    Posteriormente os Franceses carregaram mais a maçonaria com simbolismos cabalistas contudo engana-se quem confunde o oculto, exotérico, gnosticismo, misticismo, magismo e a alquimia com devaneios irracionais, imaginários desvinculados da razão, lógica e das leis naturais de causa e efeito.
    Por fim, Albert Pike que jamais foi refutado deixa ainda mais explícita a raiz e a essência cabalista da maçonaria para o desespero dos materialistas e reducionistas que, por preguiça, se negam a estudar os profundos “mistérios”.
    Muitos maçons tentam desvincular a raiz da maçonaria de qualquer influência espiritual e religiosa, tentam reduzir a sua essência ao termo “escola moral”. Fazem isto pois desconhecem que até o que se chama “espiritual”, “místico”, “alquímico” deve ser observado sob e dentro das leis lógicas, racionais e naturais de causa e efeito.

    Kennyo Ismail – Já li e reli. Anderson não era clérigo católico, mas pastor presbiteriano. E Desaguliers era filho de ministro protestante (huguenote). Logo, a base do argumento católico desmoronou-se. Ainda, os solstícios não são exclusivos da Cabala, assim como as alegorias relacionadas a Salomão e seu Templo. Por fim, o irmão deveria ler uma das obras do irmão Alex Horne, “King Solomon’s Temple in the Masonic tradition”, que relata como os manuscritos mais antigos da Maçonaria não adotavam a simbologia do Templo de Salomão. Enfim, um cabalista conseguirá ver Cabala onde ele quiser, porque para ele a Cabala trata da ligação do Grande Arquiteto com o Universo e, assim, a Cabala está em tudo. E temos que respeitar. Assim como esperamos que o resultado de nossos estudos e pesquisas, com base na racionalidade, não sejam ofensivamente taxados por “preguiça”, materialismo e reducionismo. Sou espírita. Somente não misturo as coisas. Não tento enxertar espiritismo na Maçonaria, como alguns fazem questão de tentar fazer com seus misticismos.

  26. Parabéns, Ir.’. kennyo! Sua destreza na tratativa das respostas aos questionamentos feito ao seu trabalho demonstra o grau de pesquisa aplicada e o embasamento dado ao tema! Brilhante!

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