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UM ALTAR PARA TODOS

No mês passado estive em Washington DC e aproveitei para visitar o Supremo Conselho do Rito Escocês da Jurisdição Sul dos EUA, ou melhor, conforme seu nome oficial: “O Supremo Conselho – Conselho Mãe do Mundo – dos Comandantes Cavaleiros Inspetores Gerais da Casa do Templo de Salomão do 33° Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria da Jurisdição Sul dos Estados Unidos da América“.
Sua sede, próxima de completar 100 anos, é rodeada de simbolismo. Desde o número do endereço, as colunas que a rodeiam, as esfinges, até mesmo simples abajures com a face de Hermes. A Casa do Templo, como é conhecida, abrange entre outras coisas: a biblioteca pública mais antiga do Distrito de Colúmbia, com um dos maiores acervos de livros maçônicos do mundo; a biblioteca particular e objetos pessoais de Albert Pike; seus restos mortais, localizados junto aos “Pilares da Caridade”; incontáveis relíquias relacionadas à Maçonaria em geral e ao Rito Escocês em particular; a sede administrativa do Supremo Conselho; além de, é claro, o Templo.
E como o coração e a mente da Sublime Ordem Maçônica estão no Altar Maçônico, onde todo maçom presta seus juramentos perante seu Livro Sagrado, o Esquadro e o Compasso, foi para o Templo que dirigi a melhor de minhas atenções. Em seu centro está o gigantesco Altar, feito de mármore preto, e pode-se ler no chão à sua volta: “Da luz do Verbo Divino, o Logos, vem a sabedoria da vida e o objetivo da Iniciação“. Logo acima, no teto, um vitral permite a luz do Sol iluminá-lo. Mas é sobre o Altar que se vê a Universalidade da Maçonaria: estão presentes 8 Livros Sagrados.
Entre a Bíblia, a Tanakh, o Alcorão, a Bhagavad Gita e outros, um Livro me chamou a atenção: o Zend Avesta, livro sagrado do Zoroastrismo. Apesar de quase impraticado, o Zoroastrismo tem origem persa e suas crenças de imortalidade da alma, a vinda de um messias e a dualidade entre o Bem e o Mal influenciaram as religiões abraâmicas – judaísmo, cristianismo e islamismo. Sua presença no Altar é justa, visto sua influência também ter alcançado o próprio Rito Escocês.
Pedi licença àquele que me acompanhava e me ajoelhei diante do Altar, imaginando os tantos Irmãos que ali também se ajoelharam e prestaram um juramento solene. Ali refleti sobre os compromissos maçônicos que assumimos e que só podem ser considerados sagrados quando realizados perante o Livro que cada um considera sagrado.
Olhei para o Altar e enxerguei ali a melhor representação de como a Maçonaria está aberta a todos os homens livres das amarras da ignorância, da intolerância e do fanatismo. Talvez, se pudéssemos enxergar essa imagem em outros lugares, a humanidade seria mais feliz.

4 comentários sobre “UM ALTAR PARA TODOS

  1. Kennyo,

    Realmente é um belo exemplo de fraternidade, união e respeito. Agora, tenho uma curiosidade: em que parte são abertos os outros livros da Lei e o que é lido?

    Atenciosamente,

    Alexandre

  2. Alexandre, em muitos ritos e rituais maçônicos não ocorre leitura de passagens quando se abre o Livro da Lei. Em vez disso, se faz geralmente uma oração maçônica de abertura que, é claro, tem teor universal. Nesses, o Livro da Lei pode ser aberto em qualquer parte, pois exerce papel representativo da ligação entre o GADU e o homem. Já no caso do Rito Escocês, por conta de sua origem e desenvolvimento predominantemente cristão, ocorre a leitura de trechos bíblicos conforme cada grau. Porém, observa-se que são trechos adogmáticos, que não conflituam com as crenças de qualquer homem livre de preconceitos.

    Kennyo Ismail

  3. Obrigado pela resposta!

  4. Grande ensinamento.

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