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O José ainda manda na casa da vovó Gobeti

Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real é mera coincidência.

A vovó Gobeti até que enfim terminou com o José, que quase destruiu nossa família. Foi um alívio para todos, principalmente para aqueles que, por conta do José, não eram mais bem vindos à casa da vovó Gobeti.

A esperança, de que aqueles bons tempos de família reunida na casa da vovó retornariam, cresceu com a chegada do novo namorado da vovó, o Ricardão. Carioca de fala fácil, Ricardão prometeu acabar com todas essas desavenças familiares provocadas ao longo dos últimos anos pelo José. Logo de início, ele acatou a sugestão de uns parentes e se reuniu com todos na casa de um primo, no nordeste da cidade. Lá, fez promessas de que tudo mudaria e que a família iria viver em harmonia novamente, como sempre havia vivido antes do José. Porém, antes deles irem embora, o Ricardão recebeu um telefonema. Era ninguém menos que o José, dizendo pra ele voltar atrás em tudo o que disse ou iria levar uma surra na próxima vez que se encontrassem. E ele, medroso, voltou atrás. Ainda, se não bastasse, no dia seguinte saiu dizendo por aí que tinha ido na casa do primo apenas para tomar um café e que não havia prometido nada para a família. Além de medroso, mentiroso.

Por sorte, o namoro da vovó Gobeti com o Ricardão durou bem pouco. Agora ela tá com um goiano boa praça, o Lúcio. Ele estava bem ciente dos problemas que José havia provocado: proibiu alguns parentes de frequentar a casa da vovó Gobeti; com isso, outros parentes tomaram as dores deles e se afastaram; então ele usou e abusou da casa e do dinheiro da vovó, comprando até um carro de luxo; e a coisa ficou feia a ponto de alguns parentes que moram em São Paulo dizerem que não pertencem mais à família e pararem de contribuir com a vaquinha para sustentar a vovó.

Em tom agregador, Lúcio mandou recado a todos os parentes da vovó Gobeti, dizendo de sua intenção de conversar com um por um, de forma que possam viver em harmonia. E, desde já, avisou a todos que a porta da casa da vovó Gobeti voltava a estar aberta para recebê-los sempre que quisessem visitá-la. Sua atitude foi tão conciliadora que muitos parentes se manifestaram em apoio, incluindo até o simpático Laércio, ex-namorado da vovó.

Entretanto, no dia seguinte, Lúcio foi surpreendido com uma liminar da justiça dizendo que José, que ainda tinha objetos pessoais dentro da casa da vovó Gobeti, não concordava que a parentada a visitasse. Isso foi um balde de água fria em toda a família e, principalmente, no Lúcio. Até quando o José irá se intrometer em nossas vidas e prejudicar nossa família?

Lúcio, fique firme! Estamos com você!

8 comentários sobre “O José ainda manda na casa da vovó Gobeti

  1. objetos pessoais, não! o José acredita piamente que a CASA da vovó Gobeti é dele!

    1. aliás, às vezes eu penso que o José acha que é a própria Vovó Gobeti!

  2. Kkkkkk excepcional!

  3. Já que estamos numa “ficção”…

    Aí você pega a página 62 do último livro de um “Venerável escritor” onde se lê que para 53% dos membros dessa “Grande Família” o que mais desagrada é justamente o “conflito entre ‘as famílias’ do meu pais”…ou ainda, para 46% o que mais desagrada são justamente “as brigas por poder”…

    De duas uma: ou os dirigentes (ou seriam ex-dirigentes) que se dão o trabalho de judicializar questões dessa natureza “não sabem ler e interpretar o clima organizacional” da referida “casa da vovó”, ou estão lendo as coisas erradas que o fazem acreditar no “conto da carochinha”!…

    “Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade” (Ecl 1:2)

  4. Todos os acontecimentos sobre esse tema, relativos à Vovó Gobetti estão para uma novela mexicana, exatamente como escreveu o Past Ilustre Grão Mestre dos Maçons Crípticos.

  5. “Todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros” – (George Orwell)
    Guardadas as devidas adaptações, a frase extraída do livro A Revolução dos Bichos se encaixa perfeitamente no contexto em questão.
    A vaidade é a mãe da hipocrisia.

  6. José, e agora?
    não percebeu?
    a festa acabou
    a mandato esfriou
    o povo sumiu do seu discurso…
    Mas vc não morre,
    vc é duro José.
    sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem trono nem cajado, vc marcha José, para onde José?

  7. Como conviver em uma organização que pratica sempre o “faça o que eu falo, não faça o que eu faço?”

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