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O DEBATE ENTRE BARBOSA e BALLOUK PELO PODER CENTRAL DO GOB

No último sábado, dia 25 de novembro de 2017, tive a oportunidade de assistir a um debate histórico entre os dois atuais candidatos a Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil – GOB. Pelo que se sabe, pela primeira vez nesses 185 anos de existência do GOB (sim, 185. Não é erro de digitação), um debate formal ocorre entre dois candidatos concorrentes ao Grão-Mestrado Geral.

Isso somente foi possível graças à iniciativa, força de vontade, inteligência, experiência e competência do Eminente Irmão Lucas Francisco Galdeano, Grão-Mestre do GODF-GOB, e de toda sua equipe, que conseguiu a confirmação da participação das duas chapas registradas, a do Barbosa Nunes e a do Ballouk Filho, tendo desenvolvido uma dinâmica com regras claras e justas, aceita por ambas as partes, que proporcionou a oportunidade para que maçons regulares do GOB pudessem enviar suas perguntas para um ou outro candidato, ou para ser respondida por ambos, dentro de intervalos de tempo controlados, de forma a garantir a igualdade de condições.

O debate teve início com um cumprimento cordial e fraterno entre os candidatos Barbosa e Ballouk, seguido de exposição inicial de 15 minutos de cada um sobre seus projetos para o GOB, caso eleito. Essa primeira etapa, de exposição, já destacou nitidamente as diferenças entre os candidatos.

Barbosa (GO), candidato da situação, fez uma exposição mais subjetiva, focada em termos que agradam a todos, como “harmonizar”, “influência política” e “crescimento”, sem dizer como realizaria tais transformações. Sua plataforma é claramente mais centralizadora, querendo uma maior aproximação e comunicação entre Lojas e Poder Central, em detrimento dos Grandes Orientes Estaduais e Distrital.

Um trecho de uma das frases ditas por Barbosa, em sua exposição inicial, demonstra a adoção de um pensamento um tanto quanto ultrapassado sobre os objetivos da maçonaria brasileira, ao defender que o GOB volte a “influenciar os destinos da Nação”. Mas também não entrou em detalhes sobre como isso seria possível.

Ballouk (SP), candidato da oposição, adotou uma explanação mais objetiva ao propor uma reformulação do Pacto Federativo, pela qual os Grandes Orientes Estaduais e Distrital seriam fortalecidos; um melhor relacionamento com as outras duas vertentes maçônicas brasileiras, Grandes Lojas confederadas à CMSB e Grandes Orientes confederados à COMAB; o desenvolvimento de um Plano Estratégico a longo prazo para o Poder Central, com “planos de estado” e não apenas “planos de governo”, além do desenvolvimento de uma espécie de Facebook Maçônico, fornecendo assim um “Banco de Talentos”. Seu discurso foi, realmente, de oposição, ao emitir afirmações como “Nós não temos Grão-Mestres Estaduais. Nós temos Delegados” e “O Grande Oriente do Brasil é uma piada no mundo maçônico hoje”.

O alerta também acendeu durante a exposição inicial de Ballouk ao criticar a restrição do apoio do GOB à juventude apenas por meio da APJ. Ele afirmou que a Ordem DeMolay deve, também, ser institucionalmente apoiada “não importa a facção”. Talvez essa neutralidade seja reflexo de ter tido viagem de campanha paga por uma das “facções”, enquanto a outra que detém o reconhecimento internacional e a legalidade do direito de uso de nome e marca.

Já na segunda e terceira etapas, de resposta a perguntas, desconsiderando uma pergunta desperdiçada (para não dizer algo pior), que questionava sobre a revisão do ritual do Rito Brasileiro no simbolismo, que, conforme o autor da pergunta, estava com muito erro ortográfico, as respostas das demais perguntas evidenciaram as seguintes propostas destacadas:

BARBOSA:

  • Plantão permanente de socorro, a nível nacional, para acidentes e outras situações relacionadas à segurança e saúde.
  • Convocação de uma Suprema Congregação Extraordinária para tratar de intervisitação, estado por estado.

BALLOUK:

  • Compartilhar território com Grandes Lojas e Grandes Orientes da COMAB com base em regras claras e comuns de regularidade.
  • Atrair a juventude para o GOB com políticas de incentivo à iniciação de Seniores DeMolays e estímulo a fundação de Lojas Universitárias.

Nessa segunda e terceira etapas, outras afirmações feitas pelos candidatos chamaram a atenção. Ballouk, que aparenta ser  melhor informado, cometeu o deslize de afirmar que “filantropia não é princípio da Maçonaria”. Não deve saber que o lema maçônico original, ainda adotado na maioria dos países, incluindo nos EUA e na Inglaterra, tão citados por ele, tem na caridade um dos princípios mais básicos da Maçonaria, compondo o tripé de princípios maçônicos, entre o Amor Fraternal e a busca da Verdade.

Já Barbosa não ficou para trás em deslize, ao criticar o atual processo eleitoral do GOB, considerado por ele como antiquado e ultrapassado, afirmando que “milhares de votos foram desconsiderados na última eleição”. Opa! na última eleição foi pela qual ele foi eleito GMG Adjunto! Dizem por aí que esses milhares de votos eram a favor do Mozarildo, que teria vencido a eleição, mas não levado. Algo similar ao ocorrido com Athos Vieira de Andrade, em 1973. A diferença é que, naquela época, os Grandes Orientes Estaduais eram mais fortes e autônomos. Deve ser por isso que o poder foi tão centralizado de lá pra cá…

Enfim, nessa luta maçônica entre Barbosa e Ballouk pelo poder de administrar dezenas de milhares de maçons brasileiros e algumas dezenas de milhões de reais, a boa notícia é que qualquer um dos dois será melhor do que o que se tem atualmente. Ambos prometem reverter os estragos que a atual gestão fez nas relações com as outras vertentes maçônicas brasileiras, em especial com a COMAB, mas de maneiras diferentes. Não podemos chamar isso de avanço, mas de retorno ao ponto em que paramos, há 10 anos, quando a atual gestão do GOB assumiu. Então, o desafio do vencedor do pleito será correr para desfazer tantos outros estragos, em nível de Loja, de estado, de país e até internacional, e tentar recuperar uma década perdida na evolução do GOB enquanto mãe da maçonaria regular brasileira.

Entretanto, há pontos de atenção em ambos os candidatos, que devem ser considerados e, se possível, questionados aos mesmos. Ambos explicitaram uma vaidade favorável ao ativismo político, que não tem qualquer relação com a finalidade da Sublime Ordem Maçônica. Seja o GOB como “influenciador” (Barbosa) ou “protagonista” (Ballouk) do país, ambos se resumem naquele mesmo discurso de “elite estratégica” e “eminência parda”, que já morreu na década de 80. Atualmente, vive-se uma era de gestão participativa e democratização do conhecimento. A sociedade brasileira não deseja ser governada por uma mão invisível. E apenas maçons mal informados ou mal intencionados sucumbem perante a vaidade de querer fazer parte disso.

Outro ponto é quanto a Ordem DeMolay. A Ordem DeMolay já soma no Brasil mais membros filiados do que o que o GOB tem de maçons ativos, mas divididos em dois Supremos Conselhos. Barbosa já demonstrou desconhecimento sobre o assunto quando se intrometeu na questão entre os dois Supremos, apresentando-se como mediador de um processo muito mais complexo e já definido do que ele imaginara. Já Ballouk, além de “patrocinado” por uma das, como ele mesmo se referiu, “facções”, colocou-se encima do muro, mesmo ao declarar discretamente reconhecer a incompetência do GOB perante o DeMolay International.

Se você me perguntar quem venceu o debate, eu digo, sem titubear, que foi o Ballouk. Barbosa parece ainda não saber a diferença entre regularidade e reconhecimento, apesar de ser, certamente, um irmão bem intencionado e por isso deve contar com o respeito de todos. Já Ballouk não se mostrou um erudito sobre Maçonaria, mas, pelo menos, fez o dever de casa. No entanto, ganhar o debate nunca significou ganhar a eleição. Se Ballouk sobreviver maçonicamente nos próximos dias, o que acho difícil (vide Amintas, de Minas Gerais), a oposição nunca levou uma eleição no GOB. Já venceu… mas nunca levou. E Barbosa reconheceu isso durante o debate, ao criticar o próprio processo eleitoral pelo qual foi eleito GMG Adjunto.

De qualquer forma, o debate foi uma experiência excelente, cujo funcionamento surpreendeu pela organização e zelo, tendo alcançado seu objetivo de exposição de ideias, mas nem tanto de confronto ou, pelo menos, questionamento das mesmas. A antítese ficou levemente prejudicada em nome da harmonia, do ideal de um “encontro fraterno” entre chapas adversárias, natural em uma primeira edição. Mérito do Eminente Grão-Mestre Lucas Galdeano e toda a equipe do GODF, que realizaram algo histórico, algo que deveria ser direito de todo maçom gobiano assistir para votar. E, tendo quebrado o gelo, dado o pontapé inicial, espero que esse debate torne-se moralmente obrigatório nas próximas eleições gobianas, e que outras potências tomem por sugestão quando de suas eleições.

O vídeo do debate está disponível abaixo:


UPDATE: 4-12-2017

No post sobre o debate, afirmei que “há pontos de atenção em ambos os candidatos, que devem ser considerados e, se possível, questionados aos mesmos“. Então, desde sua publicação, tenho recebido manifestações de irmãos apoiadores de ambas as chapas, desejosos de esclarecer esses pontos por seus candidatos. Alguns optaram pela arte da retórica, enquanto outros preferiram fazer críticas ao candidato adversário do seu. Desconsiderei tais manifestações, na crença de que somente o orador pode esclarecer suas próprias palavras. Ninguém mais.

E então, no final da tarde de hoje, recebi uma ligação do Irmão Ballouk, que muito educada e fraternalmente dedicou um espaço de sua agenda corrida para esclarecer dois pontos de atenção apontados no post: Filantropia e DeMolay.

Ballouk explicou que, em seu entendimento, na Maçonaria a filantropia não é fim, mas meio. Sendo a moral a verdadeira finalidade maçônica, a filantropia seria um meio de se desenvolver a moral do maçom, dentre outros. E, nesse sentido, ele está certo.

Já sobre DeMolay, Ballouk esclareceu que, diferente do que alguns irmãos têm propagado, ele não teve passagem de avião para campanha adquirida pelo SCODB. A passagem teria sido emitida quando ainda era Grão-Mestre do GOSP e atendeu ao apelo de última hora de um então dirigente do SCODB que é gobiano, pois haveria uma solenidade oficial no Congresso Nacional em homenagem à Ordem DeMolay e o SCODB não tinha confirmada a participação de nenhum Grão-Mestre para atender à cerimônia. Em suas palavras, por volta de 70% dos gastos da campanha estão sendo arcados de seu próprio bolso e as doações somente são feitas por meio de uma conta bancária com destinação específica, aberta com essa única finalidade, de forma a possibilitar total transparência na prestação de contas da campanha.

Cumprindo o compromisso maçônico com a verdade, publico aqui tais esclarecimentos, agradecendo ao Irmão Ballouk pela atenção dispensada em sua ligação e toda a cordialidade no diálogo.

O blog No Esquadro estará sempre aberto a qualquer esclarecimento que quaisquer candidatos e lideranças maçônicas desejarem realizar aos nossos leitores.

11 comentários sobre “O DEBATE ENTRE BARBOSA e BALLOUK PELO PODER CENTRAL DO GOB

  1. Uma pena que esse material não está disponível para todos, seria de grande valia para os filiados ao GOB.

  2. Objetivamente, qual é o valor que os poderes centrais agregam aos irmãos e lojas? (Além de controlas de as lojas estão cumprindo nossas leis e princípios) Essa questão fundamental vem antes da questão eleitoral.

    1. Concordo Ir.: Erik.
      É exatamente este o ponto: para que servem as obediências, a não ser para fazer receita e servirem de ganha-pão para alguns, às custas das fartas mensalidades que cobram de suas “lojas jurisdicionadas”?
      Está na hora dos maçons terem um pouco mais de espírito crítico e deixarem de ser vaquinhas de presépio dessas ditas (im)potências.
      TFA

  3. Assisti ontem todo o debate e gostei muito da tua análise, meu irmão. Concordo com os pontos levantados.
    Obviamente esse é um processo que depende exclusivamente dos irmãos gobianos, mas é relevante para toda a Ordem no Brasil.
    Que o GADU ilumine as mentes e corações de nossos irmãos e que o GMG Eleito possa expressar o desejo dos irmãos e que este busque e consolide o relacionamento fraterno entre todos os irmãos da Maçonaria “mainstream”.

  4. Caríssimo Ir.: Kennyo,

    É com grande honra e satisfação que lhe escrevo.

    A admiração que nutro por sua obra, sempre ensejadora das mais profundas reflexões, terreno fértil às pérolas do intelecto, é enorme. Certamente, todos os que reverenciam obra tão genial também o fazem em relação ao obreiro.

    Obreiro este, aliás, que trabalha incansavelmente pelo engrandecimento da Maçonaria, através do estudo racional sistematizante.

    Já dizia Voltaire que as palavras são o início de todos os conflitos, e de toda a concórdia! Tenho suspeitas, portanto, que o Ir.: Ballouk, assim como você, possuem visões acerca do papel da Maçonaria, perante o Indivíduo e a Sociedade, muito semelhantes: o aparente conflito reside no plano da literalidade do léxico, mas não na substância.

    Explico-me: é que a Filantropia, por enorme que seja a sua importância, constitui apenas parte daquilo que se convenciona nominar Caridade (a real Missão, ao meu ver, da Maçonaria).

    A Caridade possui três componentes básicos: a Filantropia (simplificadamente, ajuda material prestada aos necessitados), o Ágape (apoio espiritual), e o Tzedaká (mal traduzido como Justiça Social – dever de lutar para criar estruturas sociais mais justas, e que aliviem a própria carestia).

    Exemplificando:

    Eu, como deficiente, participei de diversas iniciativas de apoio à AACD (Teleton). A Filantropia estaria concentrada, mas não restrita, na doação (dinheiro e, eventualmente, tempo,no voluntariado). O Ágape, traduzido por Amor Fraternal, seria a troca de sorrisos, a conversa e a compreensão com aqueles que se encontram em alguma precisão moral. Já a Tzedaká seria aquele dever que nos impele a refletir, criticar e atuar, politicamente, sobretudo, na mudança das estruturas sociais para que as necessidades e os preconceitos, decorrentes da situação de deficiência, sejam eliminados.

    Não se trata, portanto, de querer que a Maçonaria seja uma “eminência parda”, mas sim de que ela seja um ator importante na organização de iniciativas fiscalizatórias, racionalizadoras e participativas, a serem levadas adiante pela população.

    Por fim, devo ressaltar que causou estranheza o pronunciamento do querido Ir.: Barbosa, no sentido de prometer investir nos Demolays, FdJ, e demais entidades paramaçônicas sendo que, nos últimos 5 anos, enquanto Secretário Nacional de Paramaçônicas, nunca fez nada.

    Também é válido lembrar que ele faz parte do mesmo grupo que tem governado o GOB há 10 anos… A Maçonaria não é lugar de ingenuidades, leviandades e palavras vazias: como acreditar que, passados dez anos de isolamento, ele trabalharia diferentemente, de forma a aproximar o “Olimpo maçônico” de nós, obreiros comprometidos?

    Kennyo Ismail – Meu Irmão Naves, obrigado pelo comentário. Seguindo seu raciocínio, de que Filantropia está contida na Caridade, e de que Caridade é a missão da Maçonaria, logo, a afirmação “Filantropia não é princípio da Maçonaria”, feita por um dos candidatos, está errada. Pois, considerando esse mesmo raciocínio, de que Tzedaká está contida na Caridade, e Caridade é a missão da Maçonaria, logo, a afirmação apresentada de que “Tzedaká é princípio da Maçonaria”, se considerada correta, como você afirmou, comprova que, então, o candidato realmente errou na afirmação anterior. Isso levando em consideração a interpretação de Tzedaká apresentada como “dever de atuar politicamente na mudança das estruturas sociais…”. Sou leigo sobre o assunto, mas ouso discordar. Entendo que Tzedaká é o dever judaico do “dízimo”, a obrigação de doação de, pelo menos, 10% de seus ganhos. Não acredito que seja possível distorcer o conceito de “Tzedaká” tanto, a ponto de justificar a outra afirmação no debate que acendeu alerta, sobre ativismo político maçônico.
    De qualquer forma, foi por essa razão que registrei na matéria que “há pontos de atenção em ambos os candidatos, que devem ser considerados e, se possível, questionados aos mesmos“. Chamei no texto de “alertas” e “pontos de atenção”, exatamente porque foram menções perigosas, nas quais cabe-nos conceder o benefício da dúvida, mas não desconsidera-las, e sim buscar esclarecimentos. Por sorte, posso me dar ao luxo de ser imparcial nessa questão, buscando apresentar uma breve análise de conteúdo do que fora dito no debate. Espero sinceramente que os irmãos que se preocupam com esses aspectos da maçonaria possam questionar os candidatos antes de votar, não apenas se contentando em achar que o candidato quis dizer outra coisa, ou aceitando justificativas retóricas de membros da equipe de campanha.

    1. Meus Irmãos, não conhecia o Irmão Kenyo e o Irmão Naves. Achei muito interessante tudo que li de ambos neste artigo do Blog No Esquadro! Não busco replicá-los, nem espero estender o assunto, mas somente expor minha visão daquele debate, que não foi debate, mas exposições intercaladas pelos candidatos.
      Curiosamente, também fiz um resumo do que vi do Encontro Fraterno e entendo que as observações do Irmão Kenyo são muito procedentes, em que pese, no meu entendimento, as observações primorosas do Irmão Naves, que complementam o artigo.
      Não tenho o conhecimento do Irmãos Naves sobre as 3 vertentes da Caridade, entretanto acredito no que foi dito pelo Irmão Ballouk, se focada a benemerência destinada à sociedade, pois já há outros protagonistas muito mais competentes que nossa Ordem.
      Acredito que a Filantropia, sendo parte ou não da Caridade, não é sua prioridade, a menos que direcionada aos Irmãos carentes.
      Por outro lado, penso que a participação política de nossa Ordem, através de Irmãos políticos, comprometidos com os objetivos dela, poderá ajudar a concretizar um novo direcionamento e uma nova ordenação aos 3 poderes republicanos brasileiros, fazendo com que elevem suas ações em benefício real da sociedade.
      Muitos, ou quase todos, os anseios atuais do nosso povo dependem do comportamento dos brasileiros que compõem os 3 poderes e suas derivações: educação, saúde, trabalho, segurança pública e justiça derivam de bons projetos e da boa administração dos recursos, inseridos em um plano de estado que independa de qual governante ou de qual partido estará no poder.
      Quando isto estiver sintonizado, todos os cidadãos estarão imbuídos de melhor comportamento e até a filantropia ou caridade será reduzida pela melhor assistência do estado.
      PS: Contribuo para algumas entidades benemerentes como cidadão, consciente de que ainda não conseguimos bons brasileiros para os 3 poderes.
      Claro, também participo de campanha beneficente de minha Loja em atendimento de Irmão necessitado! TFA!

  5. Prezado Ir. Kennyo Ismail,
    Saudações fraternais!
    O assunto eleições para a alta administração do GOB é vasto e de grande alcance para a instituição maçônica brasileira. O debate entre os candidatos (rivais!) encerra em si mesmo um paradoxo para uma instituição fraternal e de natureza não política por excelência, ou seja, a disputa que pode levar a formação de “facções” que ao invés de adotar principios comuns postulam posições que nada tem a ver com a essencia da Ordem Maçônica, qual seja a preservação e fortalecimento do laços de Amor Fraternal, Alívio e Verdade. Então parece-me que as questões fundamentais estão principalmente relacionadas com aspectos estruturais e não com questões contextuais.
    Por exemplo, um fator que contribui para a dispersão de forças e conflitos está diretamente relacionado com a duração dos mandatos e a possibilidade de reeleição para os cargos principais. Essa cultura de hegemonia acaba sendo transposta para todas as estruturas subalternas, atingindo em última análise as próprias Lojas. Essa estrutura de poder e influência que trabalha a organização maçônica brasileira de um modo “top-down” e com mandatos longos cria e enraiza uma cultura de “poder hegemônica”, com características imperiais e incompatíveis com as concepções emanadas da doutrina maçônica em sua essência.
    Claro que temos outros fatores organizacionais que devem também ser considerados para entender esse cenário tão complexo, cujos paradigmas com o qual convivemos e na maioria das vezes não entendemos as suas causas raízes, tornam-se, por isso mesmo, de difícil mudança e atuam como motores de divisões e enfraquecimento da Ordem Maçônica.
    Que o G.A.D.U. a todos ilumine e guarde.
    Fraternalmente,
    Kleber Siqueira

    Kennyo Ismail – Ótima análise, meu irmão Kleber. Por essas e outras que sou contra a reeleição.

  6. O que me causa surpresa, mano Kennyo, é ambos não tratarem o assunto de reconhecimento de obediência de maneira clara e transparente, usando meros paliativos da inter-visitação como uma forma de trazer boas relações para os irmãos da COMAB. Se o mano sabe, responda pra mim, por favor, qual é a grande dificuldade dos dois grão-mestres em reconhecer as potências regulares da COMAB e de algumas Grandes Lojas da CMSB (pelo que me recordo, parece que o Ballouk disse que atualmente o GOB reconhece 11 Grandes Lojas da CMSB, salvo engano) caso um deles seja eleito grão-mestre geral do GOB? Maçons coerentes não querem meros Tratados de Amizade ou Inter-visitação, mas tratados de reconhecimento para fortalecer as potências mutuamente e tornar a Maçonaria mais coesa e forte no nosso país.

  7. Caríssimo Ir:. Kenyo. Mário Behring, quando Grão-Mestre do GOB criticou o sistema eleitoral. Para ele o Grão-Mestre deveria ser eleito pela Assembléia Geral (não me refiro ao Poder Legislativo regular e permanente) que, no seu entendimento, guardava a representação de todos os Maçons e em nome deles se manifestaria. Esta polêmica é antiga. As potências mais aproximadas da vertente francesa apoiavam a participação política (resultado da Revolução Francesa), enquanto os Ingleses nunca se voltaram para esse propósito, mantendo um viés filantrópico. Eu estive na Grande Loja de Nova Iorque e na entrada no templo há um recipiente para recolher donativos (sopas em lata inclusive). A Grande Loja Unida da Inglaterra proibiu, na época, qualquer menção à Revolução Francesa e fez questão de constituir uma Comissão para levar ao monarca a manifestação da sua lealdade. Todos os Grão-Mestres da Grande Loja Unida são vinculados à família Real, desde o Duque de Kent. Na Inglaterra jamais ocorreria o que aconteceu no Brasil, movimentos políticos contra o poder instalado. Alguns entendem que esse tempo já passou e deveríamos nos voltar para os trabalhos sociais e filantrópicos, como foi o caso do Grão-Mestre Laelso, cuja Loja de origem realiza um trabalho excepcional em Sorocaba (SP). Eu entendo que além do trabalho filantrópico teríamos que trabalhar, também, para melhorar o ambiente político (não é política partidária), combatendo a corrupção e apoiando a aprovação de leis que classifiquem tais crimes como inafiançáveis, pois não somos, ainda, uma nação justa e igualitária. Posso estar errado e aceito quem possa me convencer do contrário. Fraterno abraço. Paulo Maurício.

  8. Esse debate foi antes do pedido de impugnação de uma das chapas?
    Como fica o contexto crítico do debate em função de um pedido de impugnação?

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